O EER (Energy Efficiency Ratio) era o índice antigo — media a eficiência do aparelho num único ponto de operação, em condições ideais de laboratório, sem refletir o uso real. O IDRS (Índice de Desempenho de Refrigeração Sazonal) é o índice atual, obrigatório no Brasil desde 2023, que simula o comportamento do aparelho ao longo de um ano inteiro — considerando variações de temperatura, carga parcial e as 2.080 horas de uso anuais reais. Em 2026, a exigência subiu: splits classe A agora precisam de IDRS mínimo de 7,0 (antes era 5,5). Quanto maior o IDRS, mais o aparelho economiza no seu uso real, não apenas no laboratório.
EER e IDRS: o que cada um mede e por que um substituiu o outro
Eficiência em condição ideal — foto única
- O que mede: capacidade de resfriamento ÷ potência elétrica, em UMA condição fixa (35°C externo, 27°C interno, 50% umidade)
- Resultado: número adimensional — quanto maior, mais eficiente naquela condição
- Problema: não representa o uso real — um inverter rodando em carga parcial 90% do tempo parece igual a um convencional nesse teste
- Uso no Brasil: substituído pelo IDRS a partir de 2023. Ainda aparece em produtos importados ou antigos
- Equivalente internacional: similar ao COP (Coefficient of Performance) para resfriamento
Eficiência ao longo do ano — filme completo
- O que mede: desempenho ao longo de uma temporada inteira, em múltiplos pontos de operação com pesos baseados em dados climáticos reais brasileiros
- Resultado: número que representa consumo médio anual real — base de 2.080 horas/ano (antes: 30 horas/mês)
- Vantagem: revela o diferencial do inverter — que é muito mais eficiente em carga parcial do que o convencional
- Uso no Brasil: obrigatório desde 2023 na etiqueta Inmetro. Em 2026, os limites ficaram mais rígidos
- Equivalente internacional: similar ao SEER (Seasonal Energy Efficiency Ratio) americano e ao SCOP europeu
🔬 Por que o IDRS expõe o inverter de verdade: um aparelho convencional (on/off) e um inverter podem ter EERs parecidos no teste de carga total. Mas no uso real, o inverter opera 70–80% do tempo em carga parcial — e é exatamente aí que ele brilha. O IDRS captura essa eficiência em carga reduzida com pontos de teste a 35°C em carga total, 35°C em carga parcial e, opcionalmente, 29°C em carga parcial. O resultado é um número que reflete o que o aparelho realmente faz na sua casa — não o que ele faz num laboratório perfeito.
Como o IDRS é calculado — a metodologia do Inmetro
O IDRS é calculado a partir de ensaios em laboratório em múltiplos pontos de operação, com pesos definidos pela Portaria Inmetro nº 234/2020, baseados em dados climáticos e de uso real de consumidores brasileiros.
| Ponto de teste | Temperatura externa | Carga térmica | Tipo de aparelho | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Teste A | 35°C | 100% (carga total) | Convencional e Inverter | Obrigatório — mesma condição do antigo EER |
| Teste B | 35°C | Carga parcial (~50%) | Inverter | Obrigatório para inverter — captura a vantagem real |
| Teste C | 29°C | Carga parcial | Inverter | Opcional — sujeito a critérios da Portaria 179 (anti-brecha) |
O Inmetro publicou em 2022 a Portaria nº 179 para corrigir uma brecha na norma ISO 16358-1:2013: alguns fabricantes estavam obtendo IDRS mais altos mesmo com modelos que consumiam mais energia no teste de carga parcial. A portaria adicionou critérios que limitam o uso do terceiro ponto de teste a modelos que genuinamente apresentam melhor desempenho a 29°C — garantindo que o número na etiqueta seja honesto.
⚠️ A grande mudança nas horas de uso: o cálculo anterior do Inmetro considerava apenas 30 horas de uso por mês para calcular o consumo anual mostrado na etiqueta. O IDRS usa 2.080 horas por ano — o que representa cerca de 5,7 horas por dia, muito mais próximo da realidade brasileira. O resultado? O consumo anual mostrado na nova etiqueta é mais alto numericamente — não porque o aparelho ficou menos eficiente, mas porque a base de cálculo ficou mais honesta.
O que mudou na etiqueta do Inmetro — e como ler a nova
O que a nova etiqueta mostra
- Classe de eficiência: de A (mais eficiente) a F (menos eficiente) — eram só A a D antes
- IDRS: o número do índice sazonal — quanto maior, mais eficiente no uso real
- Consumo anual (kWh/ano): estimativa realista com 2.080 horas de uso — substituiu o kWh/mês com base de 30h/mês
- Fluido refrigerante: agora obrigatório na etiqueta (R-410A, R-32, R-22 etc.)
- Consumo em stand-by: energia consumida com o aparelho ligado mas sem refrigerar
- QR Code: leva diretamente à página de consulta do PBE no Inmetro (pbe.inmetro.gov.br)
As faixas de IDRS por classe — o que mudou em 2026
A Portaria Inmetro nº 234/2020 estabeleceu um cronograma em duas fases para elevar os requisitos mínimos de eficiência. A segunda fase entrou em vigor em janeiro de 2026, elevando o piso da classe A de 5,5 para 7,0. Isso significa que aparelhos que eram “classe A” pela norma anterior podem ter recebido reclassificação para classes inferiores.
(desde nov/2023)
a partir de 2026
antes de 2026
moderada
mais consumo que A
📌 O cronograma completo da Fase 2 (Portaria Inmetro 234/2020): fabricação e importação com os novos níveis a partir de 31 de dezembro de 2025; comercialização pelos fabricantes e importadores a partir de 30 de junho de 2026; comercialização pelos distribuidores e varejistas a partir de 30 de junho de 2027. Isso significa que você ainda pode encontrar no varejo, até meados de 2027, aparelhos fabricados antes de 2026 com o IDRS 5,5 como mínimo para classe A — desde que sejam estoques anteriores ao prazo.
Etiqueta Inmetro, Procel e Procel Ouro — qual é a diferença
Muitos consumidores confundem os três selos. Eles são distintos, com critérios diferentes e emitidos por entidades diferentes:
EER vs. IDRS: a diferença que aparece na conta de luz
A comparação entre os dois índices fica mais clara quando se observa o comportamento de um aparelho convencional versus um inverter ao longo do tempo de uso:
| Critério | EER (índice antigo) | IDRS (índice atual) |
|---|---|---|
| Pontos de teste | 1 ponto (condição fixa) | 2 a 3 pontos (múltiplas condições) |
| Temperatura de teste | 35°C externo, 27°C interno | 35°C (carga total + parcial) e 29°C (opcional) |
| Horas de uso consideradas | 30 h/mês (360 h/ano) | 2.080 h/ano |
| Diferencia inverter de convencional? | Não claramente | Sim — em carga parcial, inverter domina |
| Consumo informado na etiqueta | kWh/mês (irreal) | kWh/ano (realista) |
| Classes de eficiência | A a D | A a F (escala mais granular) |
| Válido para produtos novos no Brasil | Não (substituído) | Sim — obrigatório desde 2023 |
| Equivalente internacional | EER (EUA/Europa) | SEER (EUA) / SCOP (Europa) |
Quanto você economiza de verdade com IDRS alto
Comparativo de consumo: Classe A (IDRS 7,6) vs. Classe F (IDRS 2,8)
Escritório com 3 aparelhos de 18.000 BTU · 10h/dia · 22 dias/mês · Tarifa R$ 0,82/kWh
Como usar o IDRS para comparar aparelhos na loja
Agora que você sabe o que o IDRS representa, como usá-lo na prática ao comprar um ar-condicionado?
| IDRS do aparelho | Classificação | Para quem é indicado | Exemplo de modelo |
|---|---|---|---|
| > 8,2 | Procel Ouro | Uso intenso (8h+/dia), comercial, regiões quentes — máximo retorno do investimento | Daikin top line, LG Dual Inverter premium |
| 7,0 – 8,2 | Classe A (2026) | Uso regular a intenso — boa relação custo-benefício e atende às exigências de 2026 | LG Dual Inverter, Samsung WindFree AI, Midea AI Ecomaster |
| 5,5 – 7,0 | Classe B (2026) | Uso moderado — ainda inverter, mas abaixo do novo mínimo para classe A. Avalie se vale a diferença de preço até o modelo A | Springer Midea linha Xtreme Save antiga, modelos de entrada |
| 4,5 – 5,5 | Classe C | Uso ocasional em regiões amenas — atenção: pode ser convencional (on/off) | Modelos básicos / convencional mais moderno |
| < 4,5 | Classe D–F | Evitar para uso regular — o custo operacional supera a economia no preço em poucos meses | Aparelhos de janela antigos, importados sem certificação |
🌐 Como verificar o IDRS antes de comprar: acesse pbe.inmetro.gov.br e pesquise pelo modelo exato do aparelho. Você encontrará o IDRS, a classe de eficiência, o consumo anual e o fluido refrigerante. Muitos lojistas ainda exibem o EER ou COP nos materiais de marketing — sempre priorize o IDRS da etiqueta física ou do sistema do Inmetro. São valores calculados com metodologias diferentes e não são comparáveis entre si.
Perguntas frequentes
Sempre consulte o IDRS na etiqueta Inmetro ou em pbe.inmetro.gov.br. Splits classe A em 2026 precisam de IDRS ≥ 7,0. Procel Ouro começa em IDRS ≥ 8,2.
Fase 2 da Portaria 234/2020 está em vigor: mínimo para classe A passou de 5,5 para 7,0. Aparelhos IDRS 5,5–7,0 que eram “A” agora são classe B.
Fabricantes podem vender estoques com critério antigo até junho de 2027. Sempre verifique o IDRS específico do modelo — não confie só na letra A da etiqueta.



