IDRS vs EER: Entenda os Índices de Eficiência Energética em Ar-Condicionado

IDRS vs EER: Entenda os Índices de Eficiência Energética em Ar-Condicionado (2026)
📅 Atualizado para 2026 · Portaria Inmetro nº 234/2020 · Fase 2 em vigor
A diferença essencial

O EER (Energy Efficiency Ratio) era o índice antigo — media a eficiência do aparelho num único ponto de operação, em condições ideais de laboratório, sem refletir o uso real. O IDRS (Índice de Desempenho de Refrigeração Sazonal) é o índice atual, obrigatório no Brasil desde 2023, que simula o comportamento do aparelho ao longo de um ano inteiro — considerando variações de temperatura, carga parcial e as 2.080 horas de uso anuais reais. Em 2026, a exigência subiu: splits classe A agora precisam de IDRS mínimo de 7,0 (antes era 5,5). Quanto maior o IDRS, mais o aparelho economiza no seu uso real, não apenas no laboratório.

01 — Os Dois Índices

EER e IDRS: o que cada um mede e por que um substituiu o outro

📉 EER — Energy Efficiency Ratio (índice antigo)

Eficiência em condição ideal — foto única

  • O que mede: capacidade de resfriamento ÷ potência elétrica, em UMA condição fixa (35°C externo, 27°C interno, 50% umidade)
  • Resultado: número adimensional — quanto maior, mais eficiente naquela condição
  • Problema: não representa o uso real — um inverter rodando em carga parcial 90% do tempo parece igual a um convencional nesse teste
  • Uso no Brasil: substituído pelo IDRS a partir de 2023. Ainda aparece em produtos importados ou antigos
  • Equivalente internacional: similar ao COP (Coefficient of Performance) para resfriamento
📈 IDRS — Índice de Desempenho de Refrigeração Sazonal (atual)

Eficiência ao longo do ano — filme completo

  • O que mede: desempenho ao longo de uma temporada inteira, em múltiplos pontos de operação com pesos baseados em dados climáticos reais brasileiros
  • Resultado: número que representa consumo médio anual real — base de 2.080 horas/ano (antes: 30 horas/mês)
  • Vantagem: revela o diferencial do inverter — que é muito mais eficiente em carga parcial do que o convencional
  • Uso no Brasil: obrigatório desde 2023 na etiqueta Inmetro. Em 2026, os limites ficaram mais rígidos
  • Equivalente internacional: similar ao SEER (Seasonal Energy Efficiency Ratio) americano e ao SCOP europeu

🔬 Por que o IDRS expõe o inverter de verdade: um aparelho convencional (on/off) e um inverter podem ter EERs parecidos no teste de carga total. Mas no uso real, o inverter opera 70–80% do tempo em carga parcial — e é exatamente aí que ele brilha. O IDRS captura essa eficiência em carga reduzida com pontos de teste a 35°C em carga total, 35°C em carga parcial e, opcionalmente, 29°C em carga parcial. O resultado é um número que reflete o que o aparelho realmente faz na sua casa — não o que ele faz num laboratório perfeito.

02 — O Cálculo

Como o IDRS é calculado — a metodologia do Inmetro

O IDRS é calculado a partir de ensaios em laboratório em múltiplos pontos de operação, com pesos definidos pela Portaria Inmetro nº 234/2020, baseados em dados climáticos e de uso real de consumidores brasileiros.

Pontos de teste para cálculo do IDRS — Portaria Inmetro nº 234/2020
Ponto de teste Temperatura externa Carga térmica Tipo de aparelho Observação
Teste A 35°C 100% (carga total) Convencional e Inverter Obrigatório — mesma condição do antigo EER
Teste B 35°C Carga parcial (~50%) Inverter Obrigatório para inverter — captura a vantagem real
Teste C 29°C Carga parcial Inverter Opcional — sujeito a critérios da Portaria 179 (anti-brecha)

O Inmetro publicou em 2022 a Portaria nº 179 para corrigir uma brecha na norma ISO 16358-1:2013: alguns fabricantes estavam obtendo IDRS mais altos mesmo com modelos que consumiam mais energia no teste de carga parcial. A portaria adicionou critérios que limitam o uso do terceiro ponto de teste a modelos que genuinamente apresentam melhor desempenho a 29°C — garantindo que o número na etiqueta seja honesto.

⚠️ A grande mudança nas horas de uso: o cálculo anterior do Inmetro considerava apenas 30 horas de uso por mês para calcular o consumo anual mostrado na etiqueta. O IDRS usa 2.080 horas por ano — o que representa cerca de 5,7 horas por dia, muito mais próximo da realidade brasileira. O resultado? O consumo anual mostrado na nova etiqueta é mais alto numericamente — não porque o aparelho ficou menos eficiente, mas porque a base de cálculo ficou mais honesta.

03 — A Etiqueta

O que mudou na etiqueta do Inmetro — e como ler a nova

INMETRO · PROCEL A ◀ B C D E F IDRS 7,6 CONSUMO ANUAL 1.320 kWh/ano QR

O que a nova etiqueta mostra

  • Classe de eficiência: de A (mais eficiente) a F (menos eficiente) — eram só A a D antes
  • IDRS: o número do índice sazonal — quanto maior, mais eficiente no uso real
  • Consumo anual (kWh/ano): estimativa realista com 2.080 horas de uso — substituiu o kWh/mês com base de 30h/mês
  • Fluido refrigerante: agora obrigatório na etiqueta (R-410A, R-32, R-22 etc.)
  • Consumo em stand-by: energia consumida com o aparelho ligado mas sem refrigerar
  • QR Code: leva diretamente à página de consulta do PBE no Inmetro (pbe.inmetro.gov.br)
04 — As Classes em 2026

As faixas de IDRS por classe — o que mudou em 2026

A Portaria Inmetro nº 234/2020 estabeleceu um cronograma em duas fases para elevar os requisitos mínimos de eficiência. A segunda fase entrou em vigor em janeiro de 2026, elevando o piso da classe A de 5,5 para 7,0. Isso significa que aparelhos que eram “classe A” pela norma anterior podem ter recebido reclassificação para classes inferiores.

≥ 8,2
Classe A
Procel Ouro
(desde nov/2023)
7,0–8,2
Classe A
Mínimo para A
a partir de 2026
5,5–7,0
Classe B
Era Classe A
antes de 2026
4,5–5,5
Classe C
Eficiência
moderada
3,5–4,5
Classe D
Baixa eficiência
< 2,8
Classe F
Evitar — até 60%
mais consumo que A

📌 O cronograma completo da Fase 2 (Portaria Inmetro 234/2020): fabricação e importação com os novos níveis a partir de 31 de dezembro de 2025; comercialização pelos fabricantes e importadores a partir de 30 de junho de 2026; comercialização pelos distribuidores e varejistas a partir de 30 de junho de 2027. Isso significa que você ainda pode encontrar no varejo, até meados de 2027, aparelhos fabricados antes de 2026 com o IDRS 5,5 como mínimo para classe A — desde que sejam estoques anteriores ao prazo.

05 — Procel e Procel Ouro

Etiqueta Inmetro, Procel e Procel Ouro — qual é a diferença

Muitos consumidores confundem os três selos. Eles são distintos, com critérios diferentes e emitidos por entidades diferentes:

🏷️
Etiqueta Inmetro (ENCE)
Obrigatória para todos os aparelhos vendidos no Brasil. Informa classe A–F, IDRS, consumo anual, fluido refrigerante. Garante conformidade com normas de segurança e eficiência mínima.
Obrigatória · Inmetro
Selo Procel
Concedido pela Eletrobras aos aparelhos que se destacam em eficiência dentro da categoria — não basta ser classe A, precisa ter IDRS superior aos concorrentes. Voluntário para fabricantes.
Voluntário · Eletrobras
🥇
Selo Procel Ouro
Criado em novembro de 2023. Exige IDRS ≥ 8,2 para splits. Reconhece o que há de mais avançado em eficiência no mercado. A Daikin e outros fabricantes premium são referência nessa faixa.
Máxima eficiência · IDRS ≥ 8,2
06 — Na Prática

EER vs. IDRS: a diferença que aparece na conta de luz

A comparação entre os dois índices fica mais clara quando se observa o comportamento de um aparelho convencional versus um inverter ao longo do tempo de uso:

Comparativo técnico: EER vs. IDRS — o que cada um revela
Critério EER (índice antigo) IDRS (índice atual)
Pontos de teste1 ponto (condição fixa)2 a 3 pontos (múltiplas condições)
Temperatura de teste35°C externo, 27°C interno35°C (carga total + parcial) e 29°C (opcional)
Horas de uso consideradas30 h/mês (360 h/ano)2.080 h/ano
Diferencia inverter de convencional?Não claramenteSim — em carga parcial, inverter domina
Consumo informado na etiquetakWh/mês (irreal)kWh/ano (realista)
Classes de eficiênciaA a DA a F (escala mais granular)
Válido para produtos novos no BrasilNão (substituído)Sim — obrigatório desde 2023
Equivalente internacionalEER (EUA/Europa)SEER (EUA) / SCOP (Europa)
07 — Exemplo Real

Quanto você economiza de verdade com IDRS alto

Comparativo de consumo: Classe A (IDRS 7,6) vs. Classe F (IDRS 2,8)

Escritório com 3 aparelhos de 18.000 BTU · 10h/dia · 22 dias/mês · Tarifa R$ 0,82/kWh

Classe A — IDRS 7,6
~900 W
consumo real por unidade
Classe F — IDRS 2,8
~2.400 W
consumo real por unidade
Diferença mensal (3 aparelhos)
~R$ 631
a mais na conta — classe F
💡 Diferença anual: aproximadamente R$ 7.572 — suficiente para adquirir um aparelho adicional de alta eficiência. Um escritório que mantém aparelhos de classe F por 5 anos paga o equivalente a 3 novos aparelhos classe A só na conta de energia, antes de qualquer custo de manutenção.
08 — Como Usar

Como usar o IDRS para comparar aparelhos na loja

Agora que você sabe o que o IDRS representa, como usá-lo na prática ao comprar um ar-condicionado?

Guia de decisão por IDRS — splits residenciais em 2026
IDRS do aparelho Classificação Para quem é indicado Exemplo de modelo
> 8,2 Procel Ouro Uso intenso (8h+/dia), comercial, regiões quentes — máximo retorno do investimento Daikin top line, LG Dual Inverter premium
7,0 – 8,2 Classe A (2026) Uso regular a intenso — boa relação custo-benefício e atende às exigências de 2026 LG Dual Inverter, Samsung WindFree AI, Midea AI Ecomaster
5,5 – 7,0 Classe B (2026) Uso moderado — ainda inverter, mas abaixo do novo mínimo para classe A. Avalie se vale a diferença de preço até o modelo A Springer Midea linha Xtreme Save antiga, modelos de entrada
4,5 – 5,5 Classe C Uso ocasional em regiões amenas — atenção: pode ser convencional (on/off) Modelos básicos / convencional mais moderno
< 4,5 Classe D–F Evitar para uso regular — o custo operacional supera a economia no preço em poucos meses Aparelhos de janela antigos, importados sem certificação

🌐 Como verificar o IDRS antes de comprar: acesse pbe.inmetro.gov.br e pesquise pelo modelo exato do aparelho. Você encontrará o IDRS, a classe de eficiência, o consumo anual e o fluido refrigerante. Muitos lojistas ainda exibem o EER ou COP nos materiais de marketing — sempre priorize o IDRS da etiqueta física ou do sistema do Inmetro. São valores calculados com metodologias diferentes e não são comparáveis entre si.

09 — Dúvidas

Perguntas frequentes

Um aparelho com EER alto continua sendo bom mesmo com o índice desatualizado?
O EER ainda tem valor informativo — um EER alto indica que o aparelho é eficiente na condição de carga total a 35°C. Mas não permite comparar aparelhos de tipos diferentes (convencional vs. inverter) de forma justa, porque um inverter rodando em carga parcial — que é a situação mais comum no uso real — parece igual a um convencional no teste EER. Se você encontrar um aparelho antigo com EER 3,5, isso equivale aproximadamente a um IDRS de 4 a 5 em modelos convencionais — classe C a D no sistema atual. Para qualquer compra nova, sempre consulte o IDRS no sistema do Inmetro.
O meu aparelho antigo ficou menos eficiente com a mudança de regras?
O aparelho não mudou — o que mudou foi a forma de medir. Um aparelho que era “classe A” pelo critério antigo pode ter IDRS entre 5 e 6 — o que, com as regras de 2026, é classe B. Isso não significa que o aparelho ficou pior: ele ainda consume a mesma energia que consumia antes. O que a nova métrica mostra é que ele é menos eficiente do que aparecia com a medição antiga — e que há modelos melhores disponíveis. Para avaliar se vale a pena trocar, compare o consumo anual (kWh/ano) da etiqueta do seu aparelho atual com o de modelos novos classe A.
O Procel Ouro (IDRS ≥ 8,2) realmente faz diferença em economia na conta de luz?
Sim — a diferença é real e mensurável para quem usa intensamente. Comparando IDRS 8,2 vs. 7,0 em uso de 8h/dia, a economia adicional do Procel Ouro fica entre 10% e 18% no consumo anual. Para um split de 12.000 BTU usado 8h/dia, isso representa economia de R$ 15 a R$ 30 por mês — ou R$ 180 a R$ 360 por ano. Em uso comercial com múltiplos aparelhos por mais horas, o retorno do investimento adicional em Procel Ouro acontece em 1 a 2 anos. Em uso residencial moderado (4h/dia), o payback do extra pago pelo Procel Ouro vs. Classe A normal pode ser de 4 a 6 anos — avalie se faz sentido para o seu perfil.
Por que o consumo anual na nova etiqueta parece maior do que o que aparecia antes?
Porque a base de cálculo mudou radicalmente. A etiqueta antiga calculava com base em 30 horas de uso por mês (360 horas por ano). A nova usa 2.080 horas por ano — equivalente a 5,7 horas diárias. Se um aparelho marcava 32 kWh/mês na etiqueta antiga, multiplicando por 12 seria 384 kWh/ano — mas a nova etiqueta pode mostrar 900 kWh/ano, porque considera mais horas de uso. Não é que o aparelho ficou mais gastador — é que a estimativa de consumo ficou mais realista. Use o número da nova etiqueta para projeções mais honestas da sua conta de luz.
O IDRS vale para aparelhos de janela também, ou só para splits?
O IDRS vale para ambos, mas com faixas de corte diferentes. Para splits, o mínimo para classe A em 2026 é IDRS 7,0. Para aparelhos de janela, o índice varia com a capacidade: IDRS 3,1 para 9.000 BTU/h, com valores ligeiramente menores para capacidades maiores. Aparelhos de janela, por sua natureza construtiva (compressor integrado, menor hermeticidade), têm IDRS estruturalmente mais baixo que splits — por isso não se deve comparar o IDRS de um aparelho de janela com o de um split: são categorias diferentes com critérios distintos.
Resumo 2026
IDRS é o número que importa — EER ficou no passado
✅ O que usar

Sempre consulte o IDRS na etiqueta Inmetro ou em pbe.inmetro.gov.br. Splits classe A em 2026 precisam de IDRS ≥ 7,0. Procel Ouro começa em IDRS ≥ 8,2.

🔵 O que mudou em 2026

Fase 2 da Portaria 234/2020 está em vigor: mínimo para classe A passou de 5,5 para 7,0. Aparelhos IDRS 5,5–7,0 que eram “A” agora são classe B.

⚠️ Cuidado no varejo

Fabricantes podem vender estoques com critério antigo até junho de 2027. Sempre verifique o IDRS específico do modelo — não confie só na letra A da etiqueta.

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